Primavera

Ideei que viria como todas as outras estações e acabei por me surpreender.
Foi chegando de uma forma conturbada, sem saber muito bem como, o que, e se deveria fazer algo para me mudar. Ela não sabia lidar com as palavras e nem com o que sentia, mas queria demonstrar algo que ali continha. Com sua forma torta nos primeiros dez dias ela mostrou-me que seria uma estação agitada e que isso era o que a diferenciava de todas as outras estações.

No décimo nono dia, despontou durante os seis dias que seguiram o quanto tudo pode mudar o tempo todo e o quanto a gente pode aprender se abrindo um pouco mais ao próximo. Trouxe-me para um novo mundo, um que eu não sabia ser possível existir. Eu, que sempre estive de coração aberto para novas experiências e novos caminhos, percebi, através dela, que eu posso mais, que esse ainda não era o meu maior. O vigésimo sexto dia chegou e ela, que não parava de me surpreender, dessa vez trouxe consigo um grupo unido do qual eu sentia que deveria fazer parte, um grupo que me viu desabando e não me deixou ruir. Estenderam as mãos e formaram uma corrente de apoio que me reergueu com muito mais que força total. E ela estava ali comigo mais uma vez, ela, sempre ela.

Hoje, no trigésimo nono dia ela resolveu me destruir para me reconstruir, me levar de zero a dez sem que eu intuísse. Ingênua ela, pois achou que eu não perceberia. Ela não cansa nunca de me mostrar que eu consigo ser cada dia um ser melhor e é incrível saber que sim, você pode e você deve ser o melhor de si mesmo a cada dia. Hoje ela me tornou capaz de me abrir e ser eu mesma pra mais de trinta pessoas, me ajudou a sorrir quando eu queria chorar e principalmente me ajudou a olhar o verão, outono e o inverno com um sorriso verdadeiro no rosto. Ela me leva a fazer coisas que eu, durante tanto tempo, pensava ser incapaz de realizar. E eu sou grata por ela nunca desistir de mim, grata por ela estar presente na minha vida e grata por ela mudá-la. Aprazida de tal forma que nada que eu faça seja adequado para demonstrar isso.

Ela não é uma pessoa, ela é um sentimento indescritível que a primavera me trouxe. Um anseio fidedigno que me transforma e que diariamente me auxilia a acordar com um sorriso no rosto quando o mundo berra um pulcro e harmônico “não” para mim. Ela é isso, ela é tudo. E eu só peço a primavera para que fique comigo nas próximas estações também porque foi a partir dela que ela apareceu.

À minha primavera que me surpreende todos os dias com um simples sorriso desajeitado e os olhos puxados.

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