E eu? Sorri

Por um acaso do destino, essa semana encontrei aquela nossa amiga em comum que é mais sua amiga do que minha. Depois de sondar como estou, se estou sobrevivendo com a sua ausência e como anda aquele meu problema na garganta, me falou que você está “incrivelmente bem e feliz”, nas palavras dela. Eu sorri sabia? Era tudo que eu sempre quis, não lembra?

Logo naquele começo de relacionamento, quando eu estava totalmente entregue, você me confessou que seu desejo no momento era namorar com aquela menina. Não sabe quem? Aquela que dirigia, morava sozinha, fazia faculdade e ainda trabalhava. Já sabe qual é? Então. Lembra o que eu te disse? Coloquei um sorriso que ia de orelha em orelha para disfarçar esses meus olhos que começaram a lacrimejar e te disse pra ir, tentar, buscar e ser feliz. Incentivei porque era o que iria te fazer realizada naquela momento, já que você sempre viveu de realizações.

Me lembrei agora daquele dia que você brigou com aquela menina que você considera(va) ter sido um amor puro e verdadeiro. Aquela sem maldades, apenas carinho e amor. Naquele dia você estava transtornada, lembra? Você não suportou a ouvir implorando para que a deixasse em paz para sempre, enquanto o que você só falava era que a amava demais. Que dia, que noite! Precisei passar a noite limpando suas lágrimas (e as minhas) e ouvindo aquelas poucas palavras que você falava entre os soluços provocados pelo choro. Aquela noite eu passei acordada tentando te fazer dormir, tentando te proteger de todo e qualquer mal, tentando te deixar incrivelmente bem na manhã seguinte. E você acordou com aquela dor no peito depois de uma decepção grande, como certamente foi, mas acordou melhor e eu acordei atrasada para aquela minha entrevista de emprego que já estava marcada a meses.

Caramba, quase me esqueci! Lembra quando aquela menina, a tal da Tereza, voltou querendo fazer as pazes com você depois daquela gigantesca briga? Como você ficou nervosa, preocupada, ansiosa e principalmente sem saber o que fazer enquanto convivia com ela, lembra? Foram tempos difíceis! Ouvi durante semanas você lutando contra (e ao mesmo tempo cedendo) a todo aquele amor que você sentia/sente por ela. Eu me sentia… não importa como eu me sentia. Mais uma vez te aconselhei, disse até para você vê se não tinha mais chance ou alguma reconciliação (amorosa) com ela. Eu falei isso, como não lembra? Foi no mesmo dia que teve uma repentina greve de ônibus, e eu dormi na sua casa. Naquela manhã você me deixou só no ponto de ônibus (como sempre). Nesse mesmo dia você ficou com a Tereza desde o fim do seu expediente até por volta de dez horas da noite esperando o namorado dela chegar. Tereza não podia ficar sozinha no ponto.

Eu deveria ter dito para nossa amiga em comum o quanto eu sempre quis te vê assim mas talvez ela pudesse achar que era ironia, porém de ironia esse desejo nunca teve nada. Tanto é que esses dias pra traz atendi o seu chamado de urgência com o coração na boca, pensei que era algo com você mas era só os seus desabafos rotineiros. Dessa vez era você me falando que iria pegar um ônibus e ficar dentro dele por mais de 430km, cerca de 6h, para encontrar a sua amiga (falando nela, a nossa amiga em comum fez questão de enfatizar que vocês estão sempre juntas agora). Eu disse para você ir, ir e ajudar a ela no que fosse preciso e até no que não fosse. Afinal, amigos e a paixão é pra isso: ir atrás, se arriscar. Desliguei depois de mais um conselho com os meus olhos repletos de lágrimas, lembrando que você nunca ficou 40km dentro de um ônibus para me encontrar durante aquela internação minha ou aquela da minha mãe.

Queria que nossa amiga em comum soubesse que a sua felicidade era tudo que eu sempre quis. Que vê seus sorrisos largos era o meu objetivo. Eu me apaixonei por ele, ela também deveria saber. Estou feliz, feliz por você está incrivelmente bem, feliz por tudo estar dando certo, feliz por não ter recebido ligações dizendo que sua mãe passou mal novamente (eu sempre soube que ela iria melhorar).

E como eu estou? Saber de mim nunca foi o seu objetivo.

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